O dia 31 de dezembro de 2023 ficará marcado na história de Nataly Rodrigues Chaves, de 18 anos, e também da Santa Casa de Porto Alegre.
O dia 31 de dezembro de 2023 ficará marcado na história de Nataly Rodrigues Chaves, de 18 anos, e também da Santa Casa de Porto Alegre. A paciente aguardava na lista de espera por um rim há 10 meses quando recebeu a ligação com a notícia de um órgão compatível para transplante, graças ao sim de uma família. Um gesto de solidariedade que permitiu à Santa Casa alcançar a marca de seis mil transplantes renais, trabalho realizado desde 1977.
Natural de Panambi, Nataly precisou se mudar para a região metropolitana de Porto Alegre em 2023 para ficar mais próxima do hospital onde realizaria o transplante. O tempo entre a notícia e a realização do procedimento é sempre um fator crucial nesse momento. Mas a ligação acabou chegando às 18h50 do dia 30 de dezembro, justo durante uma viagem à familiares no município de Inhacorá, há 480 km de distância da capital, iniciando uma corrida contra o tempo. "Foi um misto de felicidade e nervosismo. A notícia que eu mais estava esperando aconteceu quando eu estava longe. Precisava chegar a tempo e eu acreditei nisso o tempo todo", lembra a paciente.
Para garantir que não houvesse imprevistos, a família de Nataly não pensou duas vezes e buscou ajuda. Foi então que encontraram o apoio da Secretaria de Saúde do município de Inhacorá e da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que realizou a escolta da paciente entre Panambi, no noroeste, e Porto Alegre. A jovem chegou no hospital às 2h30min e ainda durante a madrugada entrou para o bloco cirúrgico. O transplante, que durou pouco mais de duas horas, ocorreu sem intercorrências e já nesta sexta-feira (5/1) a jovem pôde voltar para casa.
Nataly, que desde junho de 2022 precisava realizar hemodiálise para viver, agora inicia o ano de 2024 com novas possibilidades. Um recomeço que, no Rio Grande do Sul, mais de 2.800 pessoas ainda aguardam na lista de espera por um órgão.
O procedimento realizado por Nataly também foi um marco para a Santa Casa. Quando saiu do bloco cirúrgico, a equipe de transplantes renais alcançou a marca de seis mil transplantes de rim realizados na instituição. O primeiro procedimento foi realizado em 1977, quando uma paciente de 16 anos recebeu o órgão da mãe.
“Esse é um marco que só foi possível graças a milhares gestos de generosidade e solidariedade. A cada sim de uma família, o doador se torna um herói silencioso, responsável por transformar a tragédia em uma chance de recomeço para outros pacientes. É a única chance para quem está em lista de espera”, destaca o nefrologista Valter Duro Garcia, coordenador do Serviço de Transplantes Renais da Santa Casa.
Ainda, entre janeiro e dezembro de 2023, 295 pacientes que aguardavam na lista de espera por um rim tiveram a vida transformada na Santa Casa. Esse foi o maior número de transplantes com o órgão realizado na instituição em um único ano.
O reconhecimento considerou suas relevantes contribuições ao longo de mais de 50 anos dedicados à cirurgia cardiovascular pediátrica no país.
O evento reunirá especialistas renomados para debater o que há de mais atual na área. As inscrições seguem abertas.
Bruno Costamilan Zittlau, especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço, é o único representante do Rio Grande do Sul no grupo.