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Juremir Machado da Silva: Crônica de uma hospitalização

Colunista relata sobre sua internação no Hospital São Francisco.

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Foi aí que senti dor no peito e meu coração disparou. Foi a 123 batidas. Liguei apavorado para meu amigo e anjo da guarda Leandro Minozzo, médico, colorado e sempre pronto a ajudar. Fomos para a emergência do Hospital da PUCRS. Passamos, Cláudia e eu, a noite lá. Atendimento, como sempre, nota dez. Saí de manhã, depois dois eletrocardiogramas normais, com a recomendação de procurar acompanhamento de um cardiologista. Medroso, fui logo atrás.

Meu amigo Gilberto Schwartsmann, o homem que mais entende de Marcel Proust por estas bandas, me mandou para o Dr. Tovar, que me disse para ir logo no São Francisco, na Santa Casa, onde tem um setor de referência em arritmia, falar com o Dr. Kalil. Fui. Fiquei seis dias. Monitoramento, exames de todo tipo. O coração acalmou-se. Veio uma irritação no trato urinário. Foi controlada. Nesse meio tempo, fui ficando estranhamente mais otimista. Quanta gente legal. Uma equipe de jovens assistentes de enfermagem carinhosa, prestativa, simpática, apoiando, ajudando, sorrindo. Enfermeiras gentis e sempre com a palavra certa para animar. Renan parecia meu amigo de longa data. Gabriela me animava a sonhar com a alta. Michelle, com mãos de fada, achou uma veia em meus braços quando todas pareciam se esconder. Dei trabalho para uma moça chamada Tamires. Sentia muita dor para urinar. Não saía. Precisava colher urina num pote.

Ela saiu para buscar alguma coisa. Tentei. Saiu um jato. Molhei a cama. Fiquei morto de vergonha. Ela voltou, contei choroso, sorriu.

- Querido, isso acontece, já vamos dar um jeito.

Ali tive uma lição sobre a vida. Uma semana em hospital humaniza, apaga vaidades, faz descobrir pessoas que se dedicam aos outros. Fui levado para uma ecografia do aparelho urinário. Havia muitas pessoas na sala. Um senhor, negro, idoso, perguntou se eu não era o jornalista. Confirmei. Ele me elogiou. Outro, brincou: "Jornalista também adoece". Acrescentei: "Adoece e se assusta". Criou-se uma camaradagem. Enquanto esperava a cadeira de rodas para voltar ao quarto, meu segundo amigo, vendo o quanto eu me apegava ao celular, comentou: "Chama um Uber". Rimos todos. Havia dor e vida ali.

Terminei minha passagem pela Santa Casa ouvindo as recomendações do sempre presente e tranquilizador Dr. Fernando Ibargoyen, a quem dediquei meu livro "Ser feliz é tudo que se quer" como "paciente impaciente". Para arrematar, recebi a visita do Dr. Fernando Lucchese. Fomos guerrilheiros da notícia juntos. Bons tempos. Contei-lhe dos meus micos e impressões. Há um livro de Lucchese, "Segunda chance", que não pode deixar de ser lido.

Deixei livros por lá. Um deles para a Sara, que esbanja cordialidade. Obrigado a tantos outros: João Lucas, Eliane, Samanta, Emilda. E aos que não tive a capacidade de guardar o nome. Mil desculpas por eu ser fiasquento.

Fiquei com esse time no coração.

Voltei para o jogo. De cabo a rabo, Cláudia segurou a minha mão.

Ufa!

Imagem: Pedro Piegas/PMPA

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